Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004

Sinto o bater acelerado do meu coração, sinto um latejar estranho dentro de mim, como se ele ainda continuasse aquele vai e vem, e uma dor fininha, forte, por ele ter rompido uma parte de mim.
Mexo-me e sinto o lençol húmido, do meu sangue ou do fluido das suas entranhas (a sua única decência: não o fez dentro de mim).
Olho para ele e sinto nojo. Nojo pelo seu corpo coberto de pelos, pela sua barriga e pela sua flacidez ridícula. Nojo pelo que fizemos. Nojo de mim que deixei que ele me conspurcasse, porque o procurei e até incentivei.
Nojo. Nojo. Nojo.
Só quero sair daqui e nunca mais olhar a cara dele.

Terça-feira, Fevereiro 24, 2004

É carnaval, ninguém leva a mal!



O dia de carnaval é um dia espantoso, as pessoas libertam-se, divertem-se imenso e tudo é aceitavel! Só questiono uma coisa, porque será que cerca de 80% dos homens se vestem de mulher neste dia? Não me venham dizer que a imaginação não dá para mais, não tivesse eu sentido mãos alheias em material da "casa"... A brincar a brincar...

viva a internet

Devo confessar que também já fui homofófica. Sou uma miúda normal. Nasci nesta cultura catolica, puritana e com aversão à diferença; e fui criada com valores retrógadas. Tive namorados, mas não me sentia à vontade com nenhum. Quando entrava numa sala, mais facilmente reparava num delicado e suave pescoço e decote feminino, no que nalgum amontoado de testosterona. Observava as minhas colegas no balneário, mas recusava-me terminantemente a sequer pensar em lesbianismo. Sofria por andar com rapazes que não gostava, sem saber muito bem porque andava com eles, mas teimava em não pensar em lesbianismo. E depois veio a internet.
Por bricadeira e gozo procurei imagens pornograficas, por instinto apreciei mais as imagens de mulheres.
Aproveitei a confidencialidade da rede para conhecer outras pessoas que por ventura já tivessem passado pelo mesmo, e encontrei. Comecei a falar a medo, e cedo o perdi. Não vale a pena ir contra o que sinto. Não estava bem, e por mais dificuldades que advenham da minha saida do armario, de certeza vai ser mais facil do que continuar a mentir a mim mesma.


Segunda-feira, Fevereiro 23, 2004



O Rei Vai Nú

E assim começo, despido de preconceitos, assumindo-me como algo que é visto como erróneo aos olhos da sociedade, apesar de no nosso quotidiano vivermos rodeados de gays, bichas, trichas e derivados... Sim, eles existem, mas entretanto vivem, não no armário, mas, digamos, numa gaveta, escondidos como se fossem agentes secretos sem licença para... amar? No fundo, a nossa sexualidade, apenas a nós diz respeito, é uma coisa natural, que ninguém tem medo de demonstrar, isto obviamente se formos heterossexuais, no caso dos homossexuais, "Deus me livre!...", duas mãos dadas provocam uma agitação na rua... Além disso parece que a partir do momento em que temos uma relação homossexual isso deixa de ser um assunto nosso e passa a fazer parte do dominio público! Sabem que mais? Pois agitem-se... Eu não caibo numa gaveta...

Domingo, Fevereiro 22, 2004

The Invitation Card


Photo By David La Chapelle

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BI-xisses
Kitschnette